quarta-feira, 29 de julho de 2009

Marrocos...o choque cultural

Itenerário:
Lisboa - Madrid - Marraquexe - Ourzazate - Dadés - Erfoud - Merzouga - Zagora - Ourzazate - Essaouira - Marrequexe - Madrid -Lisboa

Alojamento para 2 pessoas 10 dias

Meios de Transporte:
Avião
Aluger de carro

Preço total da Viagem: 1400 €


UI....UI....UI....


Praça Dja El Fna

Nunca fui tão apreensiva para uma viagem como para esta, preconceito talvez... nunca cheguei a pensar na forma como mais tarde me iria envolver com este país e a achar-me algo ridícula pela apreensão que seguiu comigo para Marrocos.

Confesso que a chegada foi bastante atribulada e na altura cheguei a pensar que tinha razão para o meu "pé atrás", assim que aterramos no Aeroporto de Marraquexe e nos dirigimos para um taxista começou um bate boca em altos berros com o que viria a ser o nosso taxista e mais 4 outros taxistas, de tal maneira refilaram uns com os outros que eu achei que iam desatar à bulha uns com os outros ali mesmo.



Praça Dja El Fna Barracas de venda de Caracois e Caracoletas

O Zé achou que a cena foi propositada uma vez que no meio da discussão o nosso taxista disse-nos quanto tínhamos de pagar pela corrida e nós nem piámos, nem discutimos o preço só acenamos com a cabeça que sim, não fosse ele refilar connosco também.

Passado esta primeira fase vem a segunda a ... condução e o transito... um CAOS...o verdadeiro CAOS... carros, riquexós, camelos, pessoas, motas, autocarros, carrinhos e carroças... um stress cada um para seu lado tudo no meio da estrada tudo a apitar a refilar... eles refilam muito, mas chega a uma altura e entramos no espirito ( não no sentido de refilar também mas no espírito deles e ao segundo dia já nem notas de tão natural que é).



Gorge do Dadés

Terceira fase ... largados na companhia de um miudo de 10 anos nas traseiras da Medina de Marraquexe, acreditem é grande e um autentico labirinto eram 18h ... à falta-me um pequeno pormenor em pleno Ramadão... o miúdo em passo rápido leva-nos durante 10mn pelas ruelas e deixa-nos ... depois de pago pelo serviço claro...deixa-nos em frente a uma porta típica de forma triangular.

...2 minutos se passam depois do primeiro, segundo e terceiro toque e nada... de repente por todo o lado se ouve aquilo que se tornou a minha paixão auditiva desta viagem o chamamento para comer ( fora da altura do Ramadão o chamamento serve para levar as pessoas às mesquitas para rezar).

...Confesso que fiquei extasiada é completamente diferente ouvir este som enquadrada no contexto do que fora dele, na Tv por exemplo, e o nosso enquadramento não podia ser melhor, sozinhos no meio da Medina de Marraquexe numa rua meia escura meia amarela dos candeeiros antigos em frente a uma porta triangular, toda trabalhada que dá vontade de levar para casa.

Passado uns 15 mn chega um senhor nas calmas a mastigar e a rir ao mesmo tempo, era o dono da casa e nós interrompemos aquilo que para eles nesta altura é o mais sagrado a hora da refeição, uma vez que no Ramadão passam o dia todo sem comer e sem beber, e só o podem fazer depois do sol se pôr...





... Nem por isso foi menos simpático não falava nada de inglês nem francês, lá nos entendemos por gestos e expressões ... mostrou-nos a casa escolhemos o quarto...sim estávamos sozinhos com uma riade só para nós ... um espanto e a 200m da praça Dja El Fna.

Tudo começava a melhorar do choque inicial, a partir daqui foi tudo a subir foi talvez das viagens mais surpreendentes a nível cultural, o choque cultural é enorme e aqui tão perto...mas garanto-vos que vale a pena e estou desejosa de lá voltar.

Tenho no entanto alguns conselhos e dicas para vos dar, não nos vamos esquecer que não estamos na Europa apesar de eles terem muita vontade que isso aconteça, têm um Rei que trabalha muito para "Europatizar" ao máximo o seu país.



Alto Atlas


CURIOSIDADE:

O rei de Marrocos Mohamed VI juntou uma série de estudiosos, cientistas, filósofos, religiosos ...etc... dos melhores cérebros de todo o Reino de Marrocos durante meses para a partir do estudo permonorizado do Corão conseguir dar todos os direitos possíveis às mulheres Marroquinas à semelhança da mulher europeia mas sempre dentro das regras do Corão.

Resultado

Conseguiu que todas as mulheres marroquinas tivessem o direito ao voto, ao divórcio, à escolha, aos estudos, tudo dentro das leis do Corão ... a única coisa que não foi possível foi dar às mulheres o direito à herança em caso de falecimento do marido ou família porque que isso esta explícito no Corão.

Criou também uma policia turística, que se encontra por todo o lado serve mesmo so para dar apoio aos turistas e em Marrocos ai daquele que fizer alguma coisa a um turista é castigado severamente, é a maneira que o Rei tem de garantir que consegue colocar o seu pais na rota dos grandes destinos de viagens.



COMIDA E BEBIDA:



Barraca Nº 1 na Praça Dja El Fna

Em relação à água deve-se evitar ao máximo beber água da torneira logo deve-se também evitar comidas onde tenha sido usada essa água sem ser fervida tal como nas saladas.

Em relação à comida deve-se evitar a carne, vai acabar por perceber que a conservação da carne principalmente em mercados é bastante débil.

Se quiserem jantar na Praça Dja El Fna aconselho a Barraca nº 1 da Praça Dja El Fna, o único sítio onde ia comer em Marraquexe e onde nunca me aconteceu nada, comemos inclusive carne aqui e estivemos sempre bem logo aconselho o sítio é uma boa altura para experimentar pratos sem medo.

Couscos de Carne
Couscos de Legumes
Pão
Chá de Menta

ONDE IR:

Vale do Draa
Gorge do Dadés
Vale do Todra
Merzouga e a dormida no deserto
Essaouira
Ourzazate



Ouarzazate

Tudo uma maravilha, se vai viajar por Marrocos aconselho que tenha sempre cuidado na escolha do que vai comer, beber sempre água engarrafada, nunca passar os limites de velocidade, existe polícia em todo o lado e se o apanham vão de certeza multá-lo ... e muito, não percam uma noite no deserto é das coisa mais bonitas que já vi até hoje ... aquele céu estrelado.

No entanto o povo é encantador e o seu país muito diferente.

Deixo-vos um texto que na altura saiu inspirado de uma viagem a não esquecer.

"A chegada a Marrakech, a viagem alucinante no caos do trânsito desta cidade vestida de vermelho e odores, o abandono na Medina entregues a um guerreiro de 10 anos no labirinto que envolve a praça de Dja El Fna, deparar-me pela primeira vez com O som que me deixa siderada, o chamamento para a refeição, a reza, a responsabilidade religiosa, o negócio do carro assinado no banco da motorizada velha em plena manhã vazia de Ramadão, a descoberta dos Gorges e Vales como delícias para os olhos, o respirar do Dadés do Todra e do Dráa, a chegada ao deserto de pedra e areia negra que se levanta lá à frente, num dourado de ofuscar.
Partimos de Merzouga para a noite maravilhosa e sem par das estrelas que caiem sobre nós, de camelo deserto a dentro… cansado de mim, o camelo decidiu que a partir dali ia sozinho, consequentemente descobri que a areia não me enterra até ao tornozelo, e que não ferve com o sol…, pela manhã, descalça de olhos pequeninos da luminosidade descobri as marcas deixadas pela noite.
Em Essouira, barcos azuis alinhados à espera... muitos, de partida, paisagem alentejana; casas caiadas de branco e azul…, de volta a Marrocos… e a Marrackech."

Tânia Rodrigues Setembro de 2007

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